Oi, cê tá deprê? O novo vídeo da Feist tá, mas é lindo mesmo assim.
Anti-Pioneer é uma das músicas mais densas do álbum Metals, e ganhou um clipe dirigido por Martin de Thurah. Ele já dirigiu o excelente The Bad In Each Other (veja aqui), e também já trabalhou com a Fever Ray. É simples, mas eficaz:
Pronto, pode voltar a ouvir alguma coisa mais animada para o final de semana!
Quando eu comecei a ouvir Feist, eu não fiquei feliz. Eu achava que seria uma onda Cat Power no início da carreira e errei feio. Mas a canadense estava acertando muito bem com o disco The Reminder (2008) e eu só percebi 1 ou 2 anos depois. Hoje é um dos meus álbuns preferidos.
O trabalho seguinte, Metals (2011) compete em matéria de melodias, letras e voz agoniantes de tão boas. Pra deixar a gente ainda mais feliz - ou triste, já que ela tem mestrado em melancolia - ela começou a investir em clipes cada vez mais bonitos.
Com as mini-histórias de The Bad In Each Other (veja aqui), a gente quase morreu de tristeza. Com o clipe de Bittersweet Melodies a nostalgia pegou pesado.
O vídeo é feito com imagens do projeto Back To The Future, da fotógrafa Irina Werning, no qual fotografias da infância de várias pessoas são recriadas em tempos atuais. É um "past Vs future" que combina direitinho com a letra da música... "Can't go back / I can't go on without those / Bittersweet melodies".
Dá vontade de pegar todos os álbuns empoeirados e refazer as fotos antigas, não dá?
Pra ver mais fotos da série Back To The Future, clica aqui.
Parece que meus artistas preferidos do momento resolveram lançar clipes das minhas músicas preferidas deles. A Feist está divulgando The Bad In Each Other, faixa que abre o álbum Metals - para mim, um dos melhores de 2011.
Ambientado no México e dirigido por Martin de Thurah (que já trabalhou com Fever Ray e Röyksopp) ele mostra pessoas comuns em situações absurdamente cotidianas e ao mesmo tempo surpreendentes... Ler lindo, complexo, emocionante. Fiquei com um nó na garganta, acho que isso nunca tinha acontecido comigo, assistindo a um clipe.
Demorou, eu sei. Mas finalmente taí a primeira mixtape de 2012! Peguei leve no eletrônico, dessa vez. Deixei a coisa com uma cara mais indie rock com alguns pops no meio. Enjoy!
Na minha memória, esse ano foi mais de EPs e singles do que álbuns propriamente ditos - Florence que o diga. Talvez por isso haja alguns debuts nessa lista e alguns artistas que eu descobri durante o ano.
Só lembrando, não há ordem de preferência, é apenas uma lista dos favoritos.
Oh Land - Oh Land
O álbum de estreia internacional da dinamarquesa não poderia ter sido melhor. Redondo, agradável, sem exageros, com letras, melodias e vocais lindos. Perfection, Break The Chain e Wolf & I são das músicas mais emocionantes do ano, para mim.
Lykke Li - Wounded Rhymes
Esse foi para o hall dos meus discos preferidos of all times. Lykke Li conseguiu se sair ainda melhor (e bem melhor) do que no primeiro álbum. O nome é a síntese de todo o trabalho: magoado e poético. Pra ouvir sem ninguém por perto.
Ladytron - Gravity The Seducer
Depois de um Best Of (2011) duplo, o quarteto lançou também nesse ano o inédito Gravity The Seducer, que trouxe uma nova cara ao som que costumava fazer sucesso nos dancefloors. O new wave ficou mais denso e lo-fi e me agradou. O show que fizeram no Cine Jóia (São Paulo), mesmo assim, lembrou que eles sabem fazer as pessoas dançarem e cantarem junto.
Kimbra - Vows
Ela começou a fazer sucesso emprestando sua voz a música de outros produtores (Miami Horror, por exemplo), mas com o lançamento desse disco, a neozelandesa fez bonito e agradou os ouvidos indies por aí. O som mistura jazz, soul, pop e lembra bastante a francesa Camille. Pra assoviar no caminho pro trabalho.
Dillon - This Silence Kills
Para a maioria de nós, a moça é um daqueles fenômenos que brotam "do nada", simplesmente pelo talento inquestionável. A alemã - nascida no Brasil, como bem lembrou um leitor anônimo em outro post - é mais uma artista debutante quando o assunto é álbum, e mais uma que já chegou por cima. This Silence Kills vai da delicadeza à frieza em poucas faixas, com produção impecável. Tem um quê de Lykke Li na voz infantil, o que é um grande elogio.
Planningtorock - W
Ela não é novata, mas confesso que só prestei atenção depois da sua colaboração no álbum de ópera Tomorrow, In A Year, do duo The Knife. E ainda bem que pesquisei, o segundo disco é uma ótima dica para quem curte a dupla sueca - e para qualquer um que curta um indie/electro bem produzido. O vocal grotesco é viciante, as batidas também.
Björk - Biophilia
Bom, esse é o projeto que eu mais falei durante o ano. Disco, apps para iOS, invenção de instrumentos, turnê de 2 anos com residências em apenas 8 cidades, workshops de música, iPads que o público pode utilizar para interagir com os instrumentos durante os shows... E ao contrário do que várias pessoas comentaram, não achei as músicas fracas no meio disso tudo. A islandesa não perdeu fôlego algum e continua fazendo melodias e letras inspiradas e inspiradoras.
Yelle - Safari Disco Club
Fun fun fun fun - parece ser o lema do trio francês. Ainda bem, porque eles fazem isso desde o primeiro disco e continuam se dando bem nesse segundo. Para falar a verdade, eu prefiro o SDC ao Pop Up (2007). O único ponto ruim é que tivemos que esperar 4 anos para ouvi-lo, tomara que não demore tanto para um terceiro.
Feist - Metals
Esse é um álbum que não entendi o porquê de ter feito tão pouco barulho. Ser o sucessor de um disco tão impressionante quanto The Reminder (2008) não seria nada fácil, mas com uma pegada um pouco menos vocal e um pouco mais instrumental, Metals conseguiu ser quase tão bom quanto. Mas as letras magoadas e o vocal estridente continuam sendo motivos de suspiro para quem é fã.
The Opiates - Hollywood Under The Knife
Deixei por último porque esse é um projeto que estou há meses tentando postar no blog e ainda não consegui escrever um post decente sobre eles. Para resumir, é um duo eletrônico alemão que conta com a voz de Billie Ray Martin, uma das minhas vocalistas preferidas. Já tive o prazer de entrevistá-la, vale a pena dar uma lida. Esse é o álbum de estréia do projeto, que tem sido coerentemente comparado a Kraftwerk e Carpenters (!!!).
Para não dizer que fui injusto, o 21 da Adele está nessa lista, mas como muitos tem reclamado que só se fala nela ultimamente, achei mais apropriado fazer apenas uma menção honrosa para a nova musa do pop/soul e deixar espaço para outros projetos. :)
Nossa canadense preferida, Feist, vai lançar nesse ano o seu terceiro álbum de inéditas, Metals. Isso muita gente já sabia. Agora o álbum já tem capa (essa acima), tracklist e o melhor: a primeira faixa revelada. Tudo aqui e agora.
Tracklist:
01. The Bad In Each Other
02. Graveyard
03. Caught A Long Wind
04. How Come You Never Go There
05. A Commotion
06. Bittersweet Melodies
07. Anti Pioneer
08. Undiscovered First
09. Cicadas And Gulls
10. Woe Be
11. Comfort Me
12. Get It Wrong, Get It Right
Feist - How Come You Never Go There
Parece que o som não variou muito, mas acho que ninguém vai reclamar, né?
Vamos fechar esse ano com um apanhado de #tesourinhos, fazendo uma retrospectiva?
Esse ano parece ter sido especialmente marcado por covers, colaborações e projetos inesperados e totalmente bizarros, mas não menos adoráveis. Aqui vai uma seleção de coisas esdrúxulas mas não menos queridas ou memoráveis. Vale lembrar que ser bizarro não significa ser ruim.
David Lynch - Good Day Today
No dia 1o de Dezembro, David Lynch lançou um single de synthpop de sua própria autoria. Apesar de não ter muito reconhecimento no campo musical, o diretor famoso por filmes como Mulholland Drive e Blue Velvet gosta muito de se intrometer na trilha sonora de seus trabalhos e já chegou a compor e produzi-las. Esse ano, no entanto, ele deu um passo maior na área musical e lançou o single Good Day Today, que lembra em muito os sons de Kraftwerk e Portishead. Não deve ter agradado muita gente, mas parece ser uma musica ideal para seus filmes.
David Lynch - Good Day Today
Ivory Tower
Peaches, Feist e Tiga têm o produtor Gonzales como denominador em comum, e nesse ano se uniram para criar um dos projetos músicocinematográficos mais estranhos dos últimos tempos. Em Ivory Tower, Tiga e Gonzales são dois irmãos profissionais do xadrez apaixonados que lutam pelo amor de Marsha Thirteen (Peaches). O trailer dá uma ideia da loucura:
M.I.A. - XXXO
M.I.A. foi uma das campeãs de bizarrice em 2010, mas nenhuma causou tantos comentários quanto o clipe de XXXO. Inspirado nos anos 90 e na estética dos SPAMs "orkutianos" da web, não economizaram nos gifs, brilhos, e tipografia cafona. Mas era tudo de propósito, e pouca gente entendeu o humor da coisa. E vocês pensam que ela ligou? Ligou. Na verdade, ela adorou. Gerar polêmica é uma das coisas que a cantora faz melhor, além, é claro, da música.
The Knife - Tomorrow, In a Year
O duo sueco The Knife já era associado a música indie das mais obscuras, misturando techno, disco, electro, música latina e macumba. Nesse ano eles levaram a bizarrice um passo adiante e gravaram Tomorrow, In A Year, um álbum duplo que é na verdade trilha sonora de uma ópera inspirada na vida de Charles Darwin. A dupla resolveu, então, adicionar ao seu portfólio um gênero musical não muito popular nas últimas décadas, a ópera. Não contentes, lançaram no início de Dezembro, em seu site oficial, "mixes" de uma das faixas menos estranhas do trabalho. A música Tomorrow, In A Year foi repensada por Olof (um dos integrantes da dupla) e ficou assim:
Olof Dreijer 5 min mix: Darwin like variation on different vocal expression and styles by Rabid Records
Snoop Dogg - True Blood
No meio do ano, pouco após o final da terceira temporada do seriado True Blood, o rapper Snoop Dogg resolveu declarar seu amor pela personagem Sookie e gravou uma música e um video para ela. A ideia é a prova do humor escrachado de Snoop e de quebra dizem que ele foi o responsável pela renovação da séria para a quarta temporada. O video de Oh Sookie é hilário, cheio de garçonetes rebolativas e cenas de episódios.
É difícil de acreditar, e só é possível ter certeza porque além de estar nos blogs oficiais da Peaches e do Gonzales, o filme teve nota em alguns jornais internacionais de respeito.
O filme trash/pastelão Ivory Tower foi escrito e produzido por Gonzales, que também é um dos protagonistas. Chilly Gonzales, apelido adotado para a carreira cinematográfica, é conhecido por ser DJ/produtor musical e trazer à indústria fonográfica artistas como Peaches e Feist.
A idéia do filme é suficientemente boba para render grandes viagens e alucinações. Gonzales e Tiga são os irmãos Hershell e Thadeus. Eles são rivais no xadrez, têm personalidades opostas e se apaixonaram pela mesma mulher, a artista performática Marsha Thirteen (Peaches).
O roteiro poderia ser de uma comédia teen americana, se não fosse pelo elenco bizarro e a forma como foi dirigido. Peaches postou em seu blog oficial uma prévia do longa:
A trilha sonora ficou por conta de Gonzales e do DJ/produtor alemão Boys Noize. Abaixo, o cartaz do filme (clique para ampliar).
Resta saber se esse filme tem alguma chance de passar em algum festival lado-b aqui no Brasil, porque ao circuito comercial ele com certeza não chegará.
Quem conhece os trabalhos de Feist e Peaches deve saber que o estilo das duas é bem diferente, e nem imagina o quanto elas têm em comum.
Feist é uma cantora e compositora folk no estilo violão-piano-voz-rouca que começou a carreira musical com uma banda folk chamada Placebo (não a banda de Brian Molko) mas se afastou por conta de um problema com cordas vocais. Ela voltou em 1999 em carreira solo fazendo sucesso apenas nos EUA e Canadá, e em 2001 se juntou à banda indie Broken Social Scene. Em 2004 Leslie Feist lançou seu álbum Let It Die ganhando fama internacional, concretizada em seu próximo lançamento, The Reminder (2007). Os fãs de indie/folk com certeza se lembram de sucessos como "I Feel It All", "My Moon My Man" e "1234".
Já Peaches é uma produtora/DJ/cantora de electro/punk/funk. Da bibliotecária Merrill Beth Nisker, Peaches se transformou em uma performer representante das mais safadas, pansexuais e taradas da música. Ela entrou para o clube dos artistas do movimento electroclash no fim da década de 1990 com seu primeiro álbum, Teaches Of Peaches (2000), ao lado de The Hacker, Miss Kittin, Ladytron e outros. O boom de Peaches começou na Alemanha e se espalhou para EUA, Canadá, Europa, Brasil e até países mais conservadores da Ásia. Lançando um álbum após o outro, ela está sempre espalhando seu electro de som industrial e propositalmente sujo combinando-o perfeitamente com suas letras vulgares e provocativas. Entre os sucessos, estão "Fuck The Pain Away", "Shake Yer Dix", "Kick It", "Boys Wanna Be Her" e "I Feel Cream".
Mas o que elas teriam em comum? Para começar, as duas são canadenses e devem parte do seu sucesso ao seu conterrâneo Gonzales, que produziu - e ainda produz - vários trabalhos das duas. Mas isso é apenas o início. Em 1999, Feist estava batalhando sua carreira solo e foi morar com uma amiga de uma amiga, que também estava começando a fazer sucesso. Quem? Peaches.
Morando juntas, Feist ainda trabalhava no backstage dos shows de Peaches e diz-se que ela brincava com um fantoche de meia apelidado "Bitch Lap Lap". As duas acabaram fazendo turnê juntas em 2000 e 2001. Ainda em contribuição com Peaches, Feist fez uma participação no clipe de "Lovertits" onde ela lambe uma bicicleta (veja aqui), participou dos vocais do álbum "The Teaches Of Peaches" e mais tarde na faixa "Give'er", do álbum Impeach My Bush (2006).
Quem apenas ouve as músicas das duas nunca imaginaria que elas teriam tanta história juntas. Mas além da amizade e trabalho, Feist e Peaches têm uma faixa em comum. "Lovertits" aparece originalmente no álbum "The Teaches Of Peaches" com toda a pouca-vergonha electro de Merril Peaches Nisker:
Peaches - Lovertits
Feist, entre o primeiro e o segundo álbum de inéditas, lançou Open Season (2006) com remixes e b-sides de Let It Die. Entre as faixas, estava um cover de "Lovertits" feito em parceria com o produtor das duas, Gonzales. A versão é uma brincadeira fofa que fica entre o electro e o folk, exatamente onde os estilos das duas poderiam se encontrar:
Feist - Lovertits (with Gonzales)
Quem sabe elas ainda não voltam a se encontrar e gravam algo mais juntas? Apesar das diferenças, elas conseguem encontrar um lugar-comum e se encaixam tão bem que acaba passando despercebido.